12/10 - 10:00 Benefícios flexíveis ajudam a reter talentos, dizem especialistas Empresas que usam o “beneflex” apostam na satisfação dos empregados Thais Sant'Ana
Se você pudesse escolher a categoria do seu plano de saúde empresarial, qual seria sua decisão? Se você é um jovem, mais interessado em um curso de extensão universitária do que em cobertura de saúde, é possível que prefira um plano básico e barato. No entanto, se você está na faixa dos 40 anos, é casado e tem filhos, é bem provável que tenha interesse em um plano mais abrangente.
A política de benefícios flexíveis - ou seja, poder escolher as opções que mais têm a ver com o seu perfil - é adotada hoje por poucas empresas brasileiras. Apenas 4% das companhias usam o sistema. Mas, muitos daqueles que aderiram à novidade garantem que não dá pra ficar sem.
Atrativo - Ronn Gabay, consultor de seguros e benefícios da Hewitt Associates, consultoria especializada na implantação de pacotes de benefícios, explica que esse baixo número se deve, principalmente, ao medo que as empresas têm de enfrentar problemas com a legislação brasileira. Elas temem oferecer como benefícios coisas que não são consideradas por lei como tal – o que poderia abrir disputas na Justiça na tentativa de incorporar esses valores como salário. Mas, ainda segundo o consultor, o sistema é um atrativo para os funcionários.
João Oliveira de Souza, gerente de recursos humanos da GVT, empresa de telecomunicações sediada em Curitiba, que atua há dez anos no Brasil e oferece o sistema de benefícios desde a sua inauguração, confirma que o programa serve como ferramenta para a retenção de talentos: “Quando a gente fala que o colaborador pode escolher, já brilha os olhinhos”, diz ele.
Opções - Na GVT há seis linhas de benefícios com quatro opções em cada. São elas: saúde, assistência odontológica, seguro de vida, complementação salarial por afastamento, bem estar e alimentação e refeição. Dentro de cada uma das linhas, há opções das mais básicas às top.
O pacote de bem estar é o destaque da empresa. Dentro dele, há a opção de escolher entre assistência psicológica, jurídica, consultoria financeira e assistência psicossocial. No plano mais básico, o empregado tem direito a seis sessões e no mais completo a 12. Ele pode distribuir suas sessões entre as quatro especialidades.
“Um funcionário que, por alguma eventualidade, tenha algum problema - um filho internado por conta de um problema com drogas, por exemplo -, pode pedir uma assistente social”, diz Souza.
Escolhas – Pelas opções de cada grupo ou tipo de funcionários, Souza garante que já é possível traçar um perfil. “Por exemplo, o pessoal de call center, que é bem jovem na maioria, se pudesse, teria todos os seus benefícios em alimentação. Já os mais velhos, pouco se importam com a alimentação, mas dão muito valor a assistência médica e odontológica.”
Na SAP, empresa especializada em softwares de gestão empresarial, o pacote começou a ser utilizado em 2005. A diretora de RH, Paula Jacomo, conta que tanto os colaboradores que já atuavam na empresa na época se adaptaram bem ao sistema, quanto os novos contratados enxergaram nele um atrativo.
Na empresa há cinco planos: plano de saúde, plano odontológico, estacionamento, vale-refeição e seguro de vida. Dentro de cada um deles há quatro ou cinco opções a escolha do funcionário, do standard, ou mais básico, ao top.
Pontuação - A grande diferença na SAP é que a pontuação não utilizada pelo funcionário pode ser acumulada para a cobertura de outros benefícios que não estão inclusos no pacote da empresa, como uma educação continuada ou uma consulta com um especialista não abrangente, como um nutricionista.
“Os funcionários têm uma conta virtual. Nela, cada ponto acumulado equivale a um real. Então, se para montar o seu pacote a pessoa já utilizou os pontos e ainda sobrarem, ela tem aquilo em reais disponível para pagar uma academia de ginástica, para comprar medicamentos, curso de inglês ou de capacitação. Qualquer coisa que ele possa trazer um recibo para a empresa e ser reembolsado”, diz Paula.
Segundo a diretora, o maior atrativo para a continuidade dos flexíveis - que ela também afirma serem tão ou mais caros que os benefícios tradicionais -, é a motivação dos funcionários.
“A motivação com certeza garante mais lucros para a empresa. Mais até do que alguma possível perda com os custos do pacote customizado.” Segundo a diretora, até hoje só houve coisas a comemorar. “A gente percebe os pontos positivos pela avaliação que os empregados fazem da empresa”, explica.
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