29/09 - 12:09 Deficiência deve ser citada no currículo, dizem consultores Recomenda-se descrever necessidades especiais e grau de autonomia Maria Carolina Nomura
Citar a deficiência no currículo ajuda o recrutador a selecionar melhor o candidato que vai ocupar determinada vaga na empresa, pela Lei de Cotas, segundo os consultores ouvidos pelo iG Empregos.
O coordenador do Programa Serasa Experian de Empregabilidade de Pessoas com Deficiência, João Ribas, que é cadeirante, diz que a deficiência deve ser descrita da forma mais objetiva e clara possível, no final do documento em um item denominado “Outras informações”. Por exemplo: "paraplégico, usuário de cadeira de rodas".
“Mas só isso não basta, pois não informa sobre quais são os alcances e os eventuais limites da pessoa. É sempre conveniente ressaltar o quanto de independência e de autonomia tem a pessoa", explica Ribas. "Ela deve escrever com clareza e concisão se tem independência para ir para o trabalho e voltar para casa, se tem autonomia para circular sozinha no interior do edifício da empresa.”
Fabiano Puhlmann, consultor do Instituto Paradigma, acrescenta que a pessoa com deficiência pode fazer um pequeno resumo no final do currículo sobre as suas capacidades.
“Tenho deficiência física, me locomovo com cadeira de rodas, mas tenho carro adaptado e não preciso de suporte para atividades relacionadas ao cotidiano. Tenho deficiência visual, utilizo o computador através do virtual vision e do jaws. Tenho deficiência auditiva, me comunico muito bem através da leitura labial ou da linguagem escrita em português”, exemplifica.
Lei de cotas - Andrea Schwarz, consultora de inclusão e presidente da i.Social, empresa que auxilia grandes companhias na contratação de profissionais com deficiência, aponta que a descrição das necessidades especiais do candidato é relevante para a companhia e ajuda o recrutador a selecionar melhor o futuro funcionário.
Segundo a consultora, que é cadeirante, o candidato pode contar um pouco de sua história profissional e dizer se já trabalhou pela Lei de Cotas. “Pode dizer também se a deficiência é congênita ou foi adquirida.”
Objetivo – Já na avaliação de Flávio Gonzalez, coordenador de reabilitação profissional da Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape), o candidato deve ter cuidado com o grau de comprometimento ou a história da referida deficiência. “Dizer que adquiriu a deficiência em um acidente nunca deve estar citado no currículo. Se a empresa precisar de outras informações solicitará diretamente para a pessoa”, aponta.
Gonzalez acrescenta que o currículo deve conter as outras informações, como qualificação, cursos e idiomas, e seguir os padrões convencionais.
Autoestima - João Ribas destaca que a pessoa deve valorizar seu potencial, suas competências, suas habilidades, suas atitudes, mostrar que é um profissional de fato.
“O importante é ser sempre honesto e sincero e nunca ter constrangimento ou vergonha de falar sobre a própria deficiência. As pessoas com deficiência têm um papel importante na sua própria colocação profissional. E o currículo deve mostrar independência, autonomia e autoestima elevada”, sugere.
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