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06/11 - 15:17 , atualizada às 12:09 17/11 Mulheres ainda são minoria nos cargos de liderança Pesquisa indica que 96% dos presidentes de empresa são homens Silvia Angerami

Uma pesquisa com 311 companhias nacionais e multinacionais, de grande porte, realizada pela consultoria de recursos humanos Mercer revela que 96% dos presidentes das empresas são homens.

Outro estudo, o relatório de Medida de Participação segundo o Gênero 2008, divulgado no início do ano pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com base em dados coletados até 2006 sobre a participação feminina e o salário no mercado de trabalho mundial, chegou à conclusão que “há países em que a diferença de renda entre gêneros é bem menor do que em outros, mas em todos os homens ganham mais”.

O estudo confirmou também que as mulheres ainda são minoria em cargos de liderança: apenas 9,4% das mulheres estão nos cargos legislativos, 35% nas vagas de alto escalão das empresas e 53% nos postos de gestão.

Mais detalhes da pesquisa da Mercer na tabela abaixo.

Cargos

Homens

Mulheres

Presidentes

96%

4%

  - Idade*

49 anos

44 anos

  - Vencimentos

R$ 60.412

R$ 45.490 (-25%)

Vice-presidentes

86%

14%

  - Idade

46 anos

43 anos

  - Vencimentos

R$ 32.588

R$ 28.814 (-12%)

Gerentes

75%

25%

  - Idade

41 anos

38 anos

  - Vencimentos

R$ 11.060

R$ 10.756 (-3%)

* Idade em que chegaram à posição.

Foi a primeira vez que a consultoria Mercer fez uma pesquisa de gênero. Embora os dados revelem que há uma aceleração na carreira feminina, uma vez que elas chegam mais jovens à presidência, ainda há grande diferença salarial e a maior parte dos postos continua a ser deles.
 
Em todo o mundo - No entanto, isso não é apenas uma exclusividade brasileira. A desigualdade acontece em todos os países do mundo. A desigualdade nos salários pode ser sentida por uma faixa de 30% a 84% dos entrevistados, na pesquisa da Mercer.

Marlene Ortega, diretora executiva da Universo Qualidade e vice-presidente da Business Professional Women, não estranha os resultados apontados pelas pesquisas: “A mulher ainda é minoria porque ela entrou depois no mercado de trabalho”, acredita.

Para que as mulheres avancem em direção aos postos gerenciais, Marlene acredita que elas precisam desenvolver competências mais voltadas para estratégia, planejamento e resultados. Ela não quis arriscar um palpite sobre quando esse cenário deve mudar.

Marlene observa, porém, que os bancos escolares de cursos de MBA estão recheados de mulheres. “Estão todos competindo pelas vagas, ainda que os homens estejam na frente.” 

Para Marlene, as mulheres provavelmente vão se beneficiar do crescimento do setor de serviços, no qual elas terão mais oportunidades de crescimento profissional.

Estresse – Outra pesquisa, realizada pela Apoema Inteligência em Pessoas para analisar o ambiente de trabalho nas empresas da região metropolitana de Campinas (SP), detectou que mulheres são as mais vulneráveis ao esgotamento profissional.

A pesquisa, que ouviu 800 profissionais e executivos, apontou que as mulheres entre 30 e 35 anos sofrem cerca de 5% a mais com esgotamento profissional do que os homens na mesma faixa etária.Esporte e religião diminuiriam em até 87% o sofrimento mental decorrente do trabalho.
  
Mais cobranças - Uma das justificativas, segundo o diretor de projetos especiais da Apoema, Marcos Tonin, é a maior exigência sobre as profissionais. As mulheres recebem mais cobranças que os homens que ocupam a mesma função. Além disso, precisam lidar com jornadas duplas e até triplas de trabalho, pois são executivas, mães e esposas.

Outra diferença citada por ele refere-se ao fato de o homem mostrar mais agressividade na hora de conquistar um cargo, enquanto a mulher é mais estratégica, em sua opinião. 

O estudo mostra ainda, que as pessoas que praticam esporte ou possuem uma religião têm índices até 87% menores de esgotamento e sofrimento mental. "Essas pessoas acreditam que mesmo nas adversidades ainda possuem 'alguém' ou 'algo' para se apoiarem, e mostram maior grau de resiliência."


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