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30/10 - 13:57 "Reality show" pode deturpar imagem de profissional, diz consultor Experiência, contudo, pode render contatos importantes e lição de vida Maria Carolina Nomura

Com estreia prevista para abril de 2010, o programa Aprendiz Universitário, que será exibido pela Rede Record, já conta com mais de 100 mil inscritos.

Mas, até que ponto a participação em “reality shows” como esse ajudam a carreira do profissional quando ele retorna para o mundo real?

Segundo o apresentador do Aprendiz Universário, João Doria Jr., a bagagem que se leva é uma das grandes vantagens. “A demissão faz parte do jogo. O ‘não’ de hoje, pode ser o ‘sim’ de amanhã. Perder ou vencer faz parte de nossas vidas. Os que não vencerem vão compreender que sua dispensa representa também uma lição. E as lições, quando são bem aprendidas, se transformam em resultados e vitórias”, afirma.

Experiência - O consultor de trade-marketing Luiz Eduardo da Rosa Borges, de 36 anos, que participou do Aprendiz em 2006, concorda. “Participar do programa abriu muito a minha mente. Eu saí de lá com a certeza de que posso enfrentar qualquer coisa e com muita confiança. Um desafio como esse me transformou em um executivo mais ousado. Mas teve quem saísse deprimida”, conta.

Borges lembra que apesar da superexposição da imagem, o Aprendiz não fez muita diferença em sua carreira. Ele diz que os “headhunters” e profissionais de RH que o procuraram por conta de sua participação no programa estavam mais curiosos do que interessados nele.

“Quando participava de processos de seleção para cargos mais seniores eu, inclusive, tirava do meu currículo que fui ao programa. Para esses postos, a palavra ‘Aprendiz’ não ajuda. Eles querem alguém experiente”, relata.

Imagem - Na opinião de Gustavo Parise, gerente executivo da consultoria Michael Page, na maior parte dos casos, não é bom para a imagem de um executivo participar de programas desse tipo.

“Algumas profissões, que realmente requerem um pouco mais de exposição, o ‘reality’ pode até projetar o profissional, mas deve-se tomar muito cuidado, pois também pode banalizá-lo”, diz.

Autoridade - “Se a pessoa ocupa uma posição mais séria, como a de gerente industrial, que lida com questões de segurança, exatidão e qualidade, por exemplo, é mais difícil impor o respeito depois que você sai de um programa como o Big Brother Brasil (BBB)”, diz o empresário e piloto automobilístico Ralf Krause, de 33 anos, que participou do BBB deste ano.

Apesar de não ser do ramo artístico, Krause diz que o programa lhe abriu diversas frentes de negócios. “Eu já era uma pessoa que tinha uma grande rede de contatos e que, agora, tem mídia. Por isso, tenho as portas abertas em muitos lugares.”

Visibilidade também foi um dos itens conquistados por Marcio Roberto de Lucca, vencedor do “Absolute Challenge” de 2005, reality show internacional cuja última fase foi na China. “No meu setor de atuação que era telecomunicação, ganhei bastante visibilidade, por conta das várias notícias que saíram sobre a minha vitória”, diz. 

Cuidados - Segundo Gustavo Parise, caso o profissional queira realmente assumir o risco de participar de um projeto desses, deve primeiramente tomar muito cuidado em não expor demasiadamente sua vida pessoal, o que é muito difícil.

“Normalmente esses programas levam os profissionais ao estresse extremo e fazem com que os candidatos percam totalmente a inteligência emocional e a razão, fazendo, assim, que tenha uma exposição maior de suas fraquezas pessoais e profissionais”, aponta.

Por isso, Parise aconselha o participante a ter um cuidado especial com a postura. “Não apenas com as palavras, pois uma discussão, por exemplo, pode rotular uma pessoa. Sabemos que para se ganhar um programa desses, muitas vezes, as pessoas precisam ser ou fazer algo diferente e isso pode sim deturpar a real imagem desse profissional”, conclui.

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