26/06 - 20:09 O que buscam os brasileiros em diferentes (e alternativos) destinos Motivos e objetivos variam, mas experiência adquirida no final é boa para todos Thais Sant'Ana
Aprender inglês, trabalhar e juntar dinheiro ou, até mesmo, fugir da violência do país. Esses são alguns dos motivos que levam os brasileiros a seguir para os novos destinos de intercâmbio, que surgem como alternativa à diminuição da oferta em roteiros mais tradicionais como Estados Unidos e Europa.
Quem segue para Dubai, nos Emirados Árabes, ou para Nova Zelândia não sabe o que vai encontrar pela frente, mas é bom estar aberto para se adaptar a novas culturas, preparado para trabalhar duro e também não ter medo de enfrentar eventuais preconceitos.
O jovem paulista, Carlos Henrique de Santos, de 22 anos, por exemplo, que foi para a Nova Zelândia no ano passado, nunca tinha se imaginado em algumas funções em que teve de atuar. “Trabalhar como garçom, lavar pratos, eu até pensava, mas nunca tinha passado pela minha cabeça ordenhar vacas”, conta ele.
Santos chegou ao país sem saber falar uma palavra em inglês. Contratado para a colheita de uvas, ele desembarcou no final da temporada, o que o levou a sair em busca de outro emprego. Ele passou por uma fazenda de gados, uma boate, trabalhou na colheita de kiwi e em uma fazenda de plantação de abóboras. “Todos eram trabalhos muito pesados e com carga horária apertada, mas ainda assim valeu a pena. A experiência que tive lá me ajudou a crescer muito como ser humano”, lembra o paulista. Já dinheiro, ele lamenta não ter conseguido juntar muito. “Pelo menos consegui resgatar o que investi”, diz. Além disso, ele também alcançou com sucesso o objetivo de falar inglês fluentemente.
Já Luzia Marilac, uma jovem cearense também de 22 anos, que acaba de regressar de Dubai, nos Emirados Árabes, conta que sua jornada no exterior foi mais leve. Ela decidiu embarcar para o Oriente Médio quando ainda estava cursando a faculdade de Turismo. Procurou a mesma agência de intercâmbios que Santos, a M/Brazil Intercâmbios, analisou propostas de recrutadores de Dubai durante nove meses e optou por trabalhar como gerente de recreação infantil na Ilha Palmeira, um dos lugares mais famosos do Emirado.
Como Luzia tem noções de inglês e já tinha se virado com as ligações e e-mails que recebia dos selecionadores, se deu melhor na chegada ao país. “Tive um mês para me adaptar”, lembra. Nesse período, Luzia não precisou trabalhar e, além do salário, recebeu um dinheiro extra para os seus gastos. “Consegui melhorar o meu inglês sozinha, mas se precisasse eles teriam pago um curso”, conta a turismóloga.
Apesar das dificuldades com a cultura local muçulmana, a cearense se adaptou bem e acredita que, em Dubai, “dá pra ficar rico” trabalhando. “Os salários são muito bons e as coisas são muito baratas”, diz.
A jovem conta ainda que, se por um lado, teve todo o apoio de seus contratadores, por outro, sofreu preconceito e discriminação por partes dos grupos majoritários que também trabalhavam na ilha, principalmente filipinos e indianos. “Na verdade, o preconceito deles é com qualquer minoria, e eu era a única brasileira do grupo”, diz ela, que chegou a ter as portas do apartamento riscadas com xingamentos e a receber uma bandeira do Brasil rasgada.
Dificuldades à parte, os dois jovens sonham em continuar viajando, trabalhando e juntando dinheiro pelo mundo, preferencialmente em Dubai. “É um país ótimo, perfeito para conhecer novas e variadas culturas e, principalmente, fazer contatos com gente do mundo inteiro. Só voltei de lá porque a crise chegou, mas já tenho propostas para retornar, assim que ela amenizar”, revela Luzia. Já Carlos Henrique garante que a Nova Zelândia foi fundamental para seu amadurecimento e faz planos para expandir seus horizontes no futuro: “inglês, eu já aprendi. Agora, quero juntar dinheiro”, almeja o jovem.
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