04/06 - 17:05 Crise afeta o tempo de recolocação profissional Muitos candidatos e reestruturação das empresas são os vilões da espera Thais Sant'Ana
Com a crise econômica mundial, vieram as demissões em massa e o fechamento de grandes empresas. Pior do que perder o emprego numa hora dessas parece ser voltar ao mercado de trabalho.
Para Pedro Dinkhuysen, diretor do Grupo Foco, empresa especializada na seleção e recrutamento profissional, a explicação é simples: “Antes eram menos candidatos, hoje há muita gente disponível, o que já é o primeiro ponto para o aumento do tempo”.
Como se não bastasse, há muito mais gente boa tentando se recolocar. “Se antes, de quatro candidatos que enviávamos para nosso cliente, um era excelente e três ou quatro eram bons, hoje, os quatro são excelentes”, diz o especialista.
Para o presidente da Curriculum.com.br, Marcelo Abrileri, a principal causa da espera refere-se às empresas e não aos candidatos. “Em tempos de crise acontece uma reestruturação interna, e, alguns gestores e gerentes são demitidos para poupar uma série de outros cargos”, explica ele, que é também especialista em recrutamento e recolocação profissional. Como um gestor, agora, ocupa dois cargos, corta-se um custo grande que se tinha com o salário dele, e os funcionários, na teoria, devem permanecer intactos.
Na prática, percebemos que não é bem assim. Não é difícil notar que muitos empregados de menor nível hierárquico foram cortados das empresas. A explicação de Albrileri para isso é simples: “nos setores em que a crise afetou muito, o corte teve de ser mais drástico”, diz.
Em todos os níveis – A turbulência afeta os executivos, independentemente do setor em que atuam, como mostra uma pesquisa feita pela consultoria Korn/Ferry em fevereiro deste ano. O levantamento mostra que, para os executivos do alto escalão, o tempo de recolocação no mercado pode quadriplicar. Se antes da crise, esses profissionais tinham como expectativa voltar a trabalhar em menos de um mês de busca, agora, não acreditam em novas chances antes do quarto mês desempregados.
Nos 85 países onde a pesquisa foi realizada, 83% dos executivos acreditam que a recolocação na crise deve demorar mais de quatro meses. Há ainda os mais pessimistas: 43% não crêem em chances antes do período de sete meses a um ano. Já no Brasil, a previsão da metade dos executivos consultados é de quatro a seis meses de espera.
Contudo, Dinkhuysen, garante que a espera pode ser recompensadora. Segundo ele, crise é tempo de rever: “antes os clientes ligavam e diziam que precisavam fechar a contratação em 20 dias, hoje, eles se dão mais prazos, prolongam mais a contratação de um profissional”, explica.
De acordo com o especialista, é por isso que a crise também pode ser considerada boa. Antes, no período pré-crise, as empresas corriam muito risco, e haviam muito “tapa-buracos” contratados. Agora, a tendência, até o fim do ano é de as coisas se estabilizarem. Mas atenção, alerta Dinhuysen, "não voltaremos aos tempos de pré-crise com um processo acelaradíssimo de contratações".
Segundo as estimativas do diretor, os tempos “normais” remetem à 2006 ou 2007. Anos que foram bons em números de contratações, mas não alucinantes como o primeiro semestre de 2008. “Com certeza, as contratações das empresas serão muito mais ponderadas, o que fará com que se tomem decisões mais acertadas e de menos riscos”, finaliza ele, que garante que isso é só uma das coisas boas que a crise tem a nos ensinar.
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