19/05 - 19:25 Perdigão + Sadia: como ficam os funcionários? Quem enxergar mais rápido a nova realidade sofrerá menos, avalia professora da ESPM Andreza Emília Marino
Perdigão e Sadia, as maiores empresas de processamento de alimentos do País, confirmaram em comunicado ao mercado na manhã de terça-feira (19) que fecharam um acordo para unir as duas companhias. Da fusão de ambas surge a Brasil Foods, que já nasce com números maiúsculos: faturamento líquido anual de R$ 22 bilhões, 42 fábricas, mais de R$ 10 bilhões em exportações por ano e 116 mil funcionários.
Diante desse cenário, existe uma série de perguntas sobre como ficarão os colaboradores. Qual cultura empresarial será a predominante? Como lidar com colegas, e até mesmo superiores, vindos de outra empresa? Sem falar em questões como eventuais demissões, por exemplo.
“Para que esse processo seja o menos traumático possível, ganha pontos quem enxergar primeiro que não existem mais duas empresas concorrentes”, declara Joyce Ajuz, diretora do curso de Administração da ESPM Rio de Janeiro e especialista na área de Gestão de Pessoas. “É natural ter medo no início. O que é inaceitável é os colaboradores ficarem divididos entre ‘o grupo S e o grupo P’.”
Joyce explica que é o momento de estar aberto às mudanças. “Não há o que discutir mais: o negócio já foi consumado. Os dois times precisam entender que devem trabalhar juntos. Quem ficar negando, fingindo que nada aconteceu ou se lamentando, perde espaço nesse momento”, frisa. Além disso, segundo a especialista, deixa de ver as vantagens que a nova empresa tem. “É a hora de exercitar a resiliência.”
“Há funcionários que criam uma mentalidade de que o concorrente é um inimigo. Quando este passa a ser o dono ou está do mesmo lado, existem pessoas que não conseguem entender e prosseguir sem preconceitos”, diz.
Ela cita como exemplo o caso que aconteceu entre a companhia de bebidas AmBev e a Brahma. “Os pessimistas diziam que funcionários da Brahma foram demitidos, mas não conseguiam ver que novos colaboradores, agora da AmBev, estavam sendo contratados”, conta. E ela faz um alerta: quando a equipe não consegue lidar com as mudanças, há empresas que preferem contratar. “Assim, não é fulano da empresa A, nem sicrano, da B. É beltrano da nova A+B.”
Num processo de fusão ou aquisição, as companhias adotam posturas diferentes no que se refere à implementação da cultura organizacional. “Toda empresa possui processos bons, que podem servir de modelo, e outros, que podem ser mudados. Geralmente, predomina a filosofia de quem comprou”, explica. A solução ideal, segundo a diretora da ESPM, é analisar ambas e mesclar com o que cada uma tem de melhor.
Demissões - De acordo com a professora, a redução no quadro de funcionários costuma ser comum, por conta da otimização dos processos. “É preciso estar preparado para tudo. Aqueles que estão atentos e atualizados, do ponto de vista profissional, têm mais chance de manter os empregos. Mas caso sejam cortados, conseguem se recolocar mais rápido do que os colegas que ficaram parados no tempo”, argumenta.
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