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15/05 - 16:15 Empresas devem seguir manual de ética na hora de demitir Desligamentos às sextas-feiras não são adequados. Precisam ser analisados ainda aspectos pessoais e familiares, como falecimentos recentes e problemas de saúde, diz consultor Andreza Emília Marino

A jornalista Cristiana de Moraes sempre adorou aniversários, especialmente os dela. Era o dia das risadas, dos cumprimentos e telefonemas dos amigos. Até que, em 2004, ela recebeu de “presente” a informação de que não fazia mais parte dos funcionários da empresa em que atuava. O choro e a tristeza foram inevitáveis. “Não era o tipo de notícia que se espera receber nesse dia. Fiquei muito triste”, conta. “Hoje, já me recoloquei, continuo adorando fazer aniversário, mas nunca me esqueço de que já perdi meu emprego nesse dia.”

Com a modelo e atriz Paulina Porizkova, foi ainda pior. Segundo ela, que atuava no reality show norte-americano "America's Next Top Model", a demissão ocorreu por telefone e também no dia do seu aniversário. Deslizes como esses cometidos nas empresas na hora dos desligamentos podem detonar o ambiente corporativo. “As companhias vêm conduzindo esse processo de forma mais responsável nos últimos tempos. Mesmo assim, existem ainda aquelas que não demonstram nenhum respeito pelos profissionais”, declara Gutemberg B. de Macedo, presidente da Gutemberg Consultores e autor do livro Fui demitido e agora (Editora Maltese). Confira a entrevista abaixo:

As empresas estão conduzindo o processo de desligamento com ética e responsabilidade?
Gutemberg B. de Macedo –
Sim. Inúmeras empresas conduzem o processo de desligamento com ética e responsabilidade. Elas não apenas respeitam os sentimentos decorrentes da demissão, como protegem os demitidos com excelente pacote financeiro, extensão de plano médico por período razoável e recolocação. Se essa é uma realidade positiva, por outro lado, não podemos fechar os olhos para aquelas que não demonstram nenhum respeito aos profissionais demitidos. Elas são sovinas e agem de maneira antiética, anti-social e anti-humana.

Quais os erros mais comuns que as empresas cometem ao demitir?
Macedo –
A não observância dos direitos legais e da CLT, e a demissão de pessoas em férias, em tratamento de saúde, entre outros. Outro perigo é a comunicação interna em desalinho: as chefias sem informação devida ou até mesmo com decisões opostas. Desalinho das chefias com o RH também. O que acontece muito é que quem deve demitir se esquiva do processo e da comunicação da demissão.

Na prática, não é adequado demitir na sexta-feira ou véspera de feriados, por telefone, e-mail e telegrama. Também não é legal quando a demissão é feita por pessoa despreparada ou errada, quando as causas da demissão não são explicadas, aquele que demite não dá espaço para o demitido falar de sua surpresa ou insatisfação. Não querer escutar, nem avaliar os efeitos da demissão nos empregados remanescentes também são condenáveis.

Quais os principais cuidados que a empresa deve adotar, no momento de demitir?
Macedo –
Todo processo e comunicação da demissão exige preparo antecipado da chefia e do RH. Devem ser tomados cuidados quanto ao procedimento legal e jurídico, os direitos da CLT, as políticas de remuneração, a análise de desempenho e comportamento. Devem ser analisados ainda os aspectos de vida pessoal e familiar que geram grande impacto, como falecimentos recentes, revezes, problemas de saúde e violência. As reações dos demitidos não são totalmente previsíveis. É preciso estar alinhado com sindicatos, serviços médicos da empresa, jurídico e RH para as possíveis demandas trabalhistas.

A comunicação da demissão deve ser polida e educada, preferencialmente feita pela chefia. Esse cuidado inclui o demitido e os remanescentes. A comunicação deve ser transparente, objetiva e construtiva observando o grau de aceitação emocional. As causas da demissão devem ser explicitadas, mas não discutidas com o demitido. Porém ele deve ser ouvido com respeito. Oferecer, no momento da demissão, um pacote de benefícios e suporte no período de transição – aqueles não previstos por lei, mas pela política da empresa.

O processo deve ser feito por alguém do RH? 
Macedo –
Conjuntamente. O profissional em qualquer nível espera ser tratado com respeito, e de certa forma, primeiramente por aquele que o comanda: seu chefe.

O que muda em caso de demissões coletivas? 
Macedo –
A decisão também é coletiva por parte da empresa. A alta administração deve se manifestar formalmente por meio de comunicação escrita ou presencial em reuniões. Cabe a ela explicar os motivos, agradecer e dizer sobre o apoio que será oferecido aos empregados. O RH participa e as chefias também, cada qual dentro dos papéis previstos.

Uma demissão mal-conduzida pode causar impactos? Pode gerar, por exemplo, um processo trabalhista?
Macedo –
Sim. Até mesmo quando o processo é preparado dentro da legalidade requerida. Os “efeitos da comunicação” podem abrandar ou explodir os sentimentos daquele que é demitido. Tanto o processo, como a comunicação devem ser considerados de igual relevância para um feliz desenlace.

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