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15/04 - 16:42 Como tratar a gagueira ao buscar um emprego ou após ser contratado Distúrbio não tem qualquer influência sobre capacidade intelectual ou desempenho profissional, garantem especialistas Carolina Amgarten

A disfluência, distúrbio de fala popularmente conhecido como gagueira, pode prejudicar a conquista de um emprego. Muitas vezes, profissionais responsáveis pela área de Recursos Humanos (RH) nem sempre estão preparados para lidar com esses funcionários.

O distúrbio, de origem neurológica, não é contagioso e atinge cerca de 1,5 milhões de brasileiros, com maior incidência na população masculina. É possível encontrar tratamento por meio de exercícios de fonoaudiologia e de aparelhos especializados. Érica Ferraz, fonoaudióloga do Grupo Microsom, empresa de soluções auditivas, explica que o gago, ao encontrar dificuldades para se comunicar com as outras pessoas, se exclui socialmente. “O fato de o indivíduo ser gago não tem qualquer influência sobre a sua capacidade intelectual ou seu desempenho profissional”, diz. A especialista adverte que não é adequado tratar o distúrbio como algo engraçado..

“Uma entrevista de emprego consiste em uma situação difícil para um gago, já que ela é decisiva e gera nervosismo”, afirma a fonoaudióloga. O profissional com disfluência tem quebras contínuas e involuntárias no seu fluxo de fala, ao contrário de uma pessoa que está simplesmente nervosa com a situação de entrevista. Logo, o entrevistador, ao detectar a disfunção do candidato, deve sempre deixá-lo terminar suas frases, evitando ao máximo completar sua linha de raciocínio. Érica reforça que não é adequado recomendar ao entrevistado ter mais calma. A sugestão pode deixá-lo ainda mais constrangido com a situação e impedi-lo de se expressar.

Jane Souza, consultora de Recursos Humanos do Grupo Soma, acrescenta que o recrutador sempre deve estar preparado para lidar com situações inusitadas. No momento da contratação, Jane enfatiza que a área de RH deve adequar o funcionário de acordo com suas habilidades. Se o profissional com disfluência tiver que se expor com mais frequencia, é necessário que o setor desenvolva maneiras de auxiliá-lo. “Não contratá-lo apenas por esse motivo pode ser classificado como um tipo discriminação”, declara.

Quando o profissional já faz parte do quadro da empresa, as recomendações são praticamente as mesmas. É preciso informar os demais sobre as maneiras propícias para lidar com gagos, seguindo instruções de profissionais habilitados, como fonoaudiólogos. 

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