14/04 - 16:39 Empresas formam líderes para disseminar conceitos de sustentabilidade Equipes precisarão desenvolver competências para saber lidar com as novas preocupações corporativas Andreza Emília Marino
Sustentabilidade é um termo bastante em alta nos círculos corporativos. Presente até mesmo nas pequenas empresas, é praticamente impossível não fazer parte da agenda das médias e grandes corporações. Por isso, é cada vez mais importante que todos os profissionais entendam seus conceitos e saibam como aplicá-los no cotidiano de escritórios e fábricas.
Segundo Mauro Shira, consultor da área de Coaching e Sustentabilidade da Franquality, de São Paulo, é muito comum os funcionários não saberem o que tudo isso tem a ver com eles e como podem ter atitudes sustentáveis durante o trabalho. “Antes de qualquer coisa, é preciso ficar claro que responsabilidade social corporativa não é o mesmo que sustentabilidade”, diz. Não se deve pensar em sustentabilidade como algo restrito ao meio ambiente, assim como responsabilidade social não se limita a ações ou investimentos em projetos sociais. Os dois conceitos estão intrinsecamente ligados. Uma empresa deverá adotar uma estratégia que contemple o que os ingleses chamam de “triple bottom line”, ou seja, gerar valor nas dimensões econômica, ambiental e social.
Para incorporar a sustentabilidade nas rotinas no dia a dia, o passo seguinte é saber quem está envolvido com essas questões e quais as políticas da empresa. Depois, é olhar para o próprio departamento e questionar o que é possível fazer para gerenciar recursos de forma responsável. “Pode-se pensar em escolher fornecedores que respeitem as normas de reciclagem e descarte, móveis ecológicos, aprofundar conhecimentos sobre a cadeia produtiva e buscar a eficiência energética. É possível utilizar o 'gancho' da crise para pensar em maneiras de reduzir custos e contribuir com a empresa.”
Shira cita como exemplo a fabricantes de aparelhos celulares Nokia, que tem um política de recolhimento de aparelhos antigos para desmonte e reciclagem ambientalmente corretos.
Para quem é da área de desenvolvimento de produtos, a sugestão do consultor é de que busquem maneiras diferentes de produzir ou usem matérias-primas mais eficientes. “Cada profissional consegue pensar como pode contribuir de acordo com suas atribuições”, explica. “Pessoas que já têm essas competências estão sendo valorizadas pelas corporações. Para quem não as tem, existem diversos cursos que podem ajudar”, complementa Shira.
Academia de Liderança – Na Basf, por ser uma indústria química, a sustentabilidade está intrinsecamente ligada ao negócio. Para ajudar na disseminação dos conceitos entre os funcionários, a empresa incluiu uma disciplina no programa Academia de Liderança, cujo objetivo é assegurar uma nova geração de líderes e influenciadores na gestão de sustentabilidade. O projeto-piloto, no ano passado, capacitou 32 profissionais das mais diversas áreas. A cada ano, a academia deve ter 100 formandos.
“Além de assegurar que a sustentabilidade permeie toda a organização, isso também permite a transferência de conhecimento e de experiência entre gerações, de forma a inserir a sustentabilidade na gestão dos negócios e torná-la uma riqueza para empresa”, comenta Gislaine Rossetti, diretora de Comunicação Social da Basf para a América do Sul e membro do comitê de sustentabilidade
Os líderes estão dedicando cerca de 10% de seu tempo na empresa para os encontros de formação, para a mobilização e multiplicação do conceito nas equipes e se envolvendo em diversos temas. Entre os assuntos abordados no curso estão diversidade, ética, índices de sustentabilidade, além de ferramentas de gestão socioambiental e suas aplicações na cadeia de valor. “Existem áreas com metas que incluem desde lançamento de produtos sustentáveis até a comunicação diferenciada desses produtos para o mercado”, conta Gislaine.
A diretora da Basf recomenda que, Para que seja só uma palavra etérea, é preciso que as pessoas entendam do que se trata e levem a questão para a vida pessoal também. "Em casa, precisam apagar a luz, fechar a torneira e imprimir de maneira consciente, tanto quanto na empresa", sugere Gislaine. "O valor precisa ser vivido para ser aprendido de forma marcante e então difundido.”
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